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terça-feira, 5 de maio de 2026

Ouro de Tarde

 A tarde não é pressa, é intervalo,

Um meio-tom que doura o que se vê,

Onde o relógio esquece seu estalo

E o agora é o único porquê.

Há uma luz que deita sobre a mesa,

Um brilho manso, sem pedir licença,

Mostrando que a maior delicadeza

É o simples fato de notar a presença.

Que este instante seja como o vento,

Que passa livre, sem nada carregar,

Trazendo o fôlego e o contentamento

De quem sabe, no agora, apenas estar.

Que o resto do dia conserve essa calma,

Feito café que aquece sem queimar,

E que a luz da tarde alcance a alma,

Antes mesmo do sol se retirar.

(Gemini)